«Quem é capaz de exprimir abertamente as suas vulnerabilidades está muito menos sujeito à depressão do que quem as disfarça com uma máscara. O deprimido é alguém que, não conseguindo ter verdadeiro prazer na vida, sente um grande vazio interior. Mantém, no entanto, uma série de comportamentos destinados a fazer acreditar ao mundo que tudo vai bem. E, só quando o confronto com a realidade lhe desfaz a ilusão, é que cai no buraco.»
in «Depression and the Body», Alexander Lowen
Encontrei esta passagem no livro «Bem-estar Interior», de Maria José Costa Félix. O livro é uma compilação de pequenas crónicas, textos que a autora escreveu para a revista Xis e que aborda temas vários, mas sempre com a intenção de passar uma mensagem positiva, de passar a ideia de que é possível ser feliz, desde que se aceite com alegria tudo o que a vida nos dá hoje, sem revolta nem raiva, mas com fé e optimismo.
Esta passagem chamou-me a atenção porque me identifiquei com ela ou, melhor dizendo, me fez lembrar de mim própria há 4/5 anos atrás. A máscara - ou “carapaça”, como eu lhe chamava - é útil, por vezes, mas é sempre perigosa. Como é perigoso tudo aquilo que nos faz fingir ser qualquer outra coisa que não nós mesmos, ainda que só por alguns momentos.
Não gosto muito de falar da minha depressão, gosto de a manter lá, no lugar dela: o passado. Mas também não gosto de me esquecer dela, porque ela ensinou-me muitas coisas, muitas coisas importantes, úteis, fundamentais, até. E porque será sempre uma sombra, um aviso, um «tem cuidado, lembra-te como foi, não queres lá voltar». Faz parte de mim, e eu aceito isso com naturalidade (nem sempre foi assim). E esta passagem lembrou-me desses tempos, e achei interessante partilhá-la.
E agora segue-se em frente, que é para lá o caminho ;)

Gostei muito deste teu post … é verdade, creio que é o buraco mais escuro e profundo que podemos cair … Parabéns por encarares as coisas de uma maneira diferente e conseguires trepar essas paredes que em determinada altura da vida parecem não ter fuga possível… ;D
Beijinhos
Sónia
Também me identifico! :(
beijinhos, Sónia, e obrigada pelas tuas palavras. volta sempre =)
Katynha, se te identificas tens a melhor de todas as hipóteses para começar a mudar isso: a consciência de usar essa máscara. as pessoas vão gostar de ti ao natural, e aquelas que não gostarem também não fazem falta. tenta… ;)
Depois de ler a última frase apetece-me cantar “Avante camarada, avante…” ;)
Beijo.
Experimenta ler da mesma autora “O sol e a lua de mãos dadas”. É fantástico! Quanto à descrição de depressão, posso dizer-te que nunca passei por isso, felizmente! Já tive baixos, e alguns muito baixos, mas nunca tive essa carapaça… Sou muito transparente e as pessoas conseguem ver se estou bem ou mal :) Acho que isso é bom… Não consigo fazer de conta…
De qualquer forma, é muito positivo falares sobre isso :D
Beijinhos
borboleta: eu também já não consigo, e mesmo nessa altura, quem realmente queria ver, via, mas tinha de estar atento (o j via sempre, até me fazia impressão, não estava habituada a sentir me transparente). confesso que às vezes ainda tento, mas já não é uma carapaça, é aquela máscara social que acaba por ser banal, superficial, mas necessária para manter algumas distâncias.
taralhoca: isso lembra-me o pedro, acabadinho de sair dos huc, numa certa e determinada queima. daqui a uns anos, já viste o quanto podemos ganhar em chantagem com ele para n divulgar estas pérolas na comunicação social?? eheheh
beijinho às duas ;)
são essas pequenas coisas que nos fazem sentir fortes e seguir em frente! pequenas amarras e dores sentidas que nos magoam mas que nos fazem crescer.
É por isso que as tartarugas são umas deprimidas… coitadinhas…
(e isto, meus senhores, foi um comentário de encher chouriços,)
3 segundos de estupidez depois… e lá me saiu a gargalhada =P tens umas piadas muuuuito inspiradas!!!!! :P